O início de 2026 trouxe um movimento que exige leitura cuidadosa dos indicadores da indústria automotiva. Janeiro apresentou estabilidade no mercado interno, ao mesmo tempo em que registrou retração na produção e nas exportações. O contraste entre esses vetores revela um setor que começa o ano apoiado no consumo doméstico, mas ainda atento às oscilações do ambiente externo.
Os dados consolidados mostram que o mercado interno somou 170,5 mil emplacamentos no mês, volume praticamente estável em relação a janeiro de 2025, mesmo com um dia útil a menos no calendário. A variação de -0,4% indica manutenção do nível de demanda. Automóveis cresceram 1,4% na comparação anual e comerciais leves avançaram 3%, sustentando o desempenho agregado do mercado.
Entre os veículos pesados, o comportamento foi distinto. As vendas de ônibus recuaram 33,9% e as de caminhões 31,5%. O resultado reflete, em parte, o ambiente de crédito e o ciclo de renovação de frota. Nesse contexto, ganha relevância a implementação do programa Move Brasil. Em seu primeiro mês, o BNDES aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos, dentro de um total de R$ 10 bilhões disponíveis. As condições de juros do programa ficaram abaixo das taxas médias praticadas no mercado, o que tende a impactar gradualmente os emplacamentos ao longo dos próximos meses.
Destaques da indústria automotiva
Um dos principais destaques de janeiro são os estoques. O total de veículos em estoque passou de 351,9 mil unidades em dezembro para 359,4 mil em janeiro. Os nacionais alcançaram 29 dias de estoque, enquanto os importados atingiram 172 dias. Esse dado altera a dinâmica de planejamento das montadoras e importadoras, especialmente diante da combinação entre produção menor e manutenção do volume de vendas internas.
No campo tecnológico, os eletrificados atingiram 16,8% dos emplacamentos no mês, o maior percentual da série histórica. Desse total, 35% correspondem a híbridos produzidos no Brasil, também um recorde de participação. O dado sinaliza avanço da produção local no processo de transição tecnológica e indica que a nacionalização desses modelos começa a alterar a composição da oferta.
O programa Carro Sustentável também contribuiu para o desempenho do mercado. Desde o início da iniciativa, foram comercializadas 282 mil unidades, volume 22,8% superior ao período anterior à isenção de IPI. O programa permanece vigente até o fim do ano, mantendo influência sobre o segmento de entrada.
No mercado externo, as exportações registraram queda de 18,3% em relação a janeiro de 2025. A retração de 5% nos embarques para a Argentina teve impacto direto no resultado. Com menor volume exportado e estabilidade nas vendas internas, a produção totalizou 159,6 mil unidades, queda de 12% na comparação anual. Vale considerar que janeiro do ano passado apresentou base elevada, o que amplia o efeito estatístico da variação.
Diante desse cenário, a gestão integrada de operações ganha centralidade estratégica. O Grupo Becomex atua na estruturação de soluções voltadas à eficiência tributária, regimes especiais e otimização de fluxos de comércio exterior. Em um ambiente de estoques elevados, produção ajustada e mudanças no perfil das importações, a análise detalhada de incentivos e impactos regulatórios passa a ser parte do planejamento industrial.
Ao apoiar empresas na gestão de riscos fiscais, na conformidade regulatória e na modelagem de operações de importação e exportação, é possível ampliar previsibilidade e reduzir custos operacionais. A reorganização do mercado de eletrificados, a dinâmica de estoques e a necessidade de competitividade internacional tornam esse tipo de abordagem um componente relevante na estratégia da indústria automotiva.
Janeiro de 2026 inicia o ano com sinais mistos. O mercado interno se mantém estável, os eletrificados ampliam participação e os pesados aguardam os efeitos do crédito direcionado. A evolução desses fatores definirá o ritmo da indústria automotiva nos próximos meses.
Marcos Gonzalez – diretor do segmento automotivo do Grupo Becomex


