A Reforma Tributária e os KPIs das diferentes áreas da empresa passam a ter uma relação muito mais próxima do que muitas organizações imaginam. As mudanças no sistema tributário criam oportunidades para integrar departamentos e gerar mais valor para o negócio.
Os diferentes departamentos das organizações têm, isoladamente, os seus KPIs alinhados ao planejamento estratégico da empresa. Mas já parou para pensar que os indicadores-chave de sucesso de cada área podem se conectar às mudanças provocadas pelo novo cenário tributário?
Como a Reforma Tributária muda os KPIs da área de Compras
Como regra, os departamentos de Compras buscam ampliar os prazos de pagamento junto aos fornecedores. Com a Reforma Tributária, diferentemente do sistema anterior, em que bastava a emissão da nota fiscal, o crédito de IBS e CBS passa a depender da liquidação financeira. O crédito somente nasce quando o tributo é efetivamente recolhido na etapa anterior, o que ocorre automaticamente por meio do split payment ou do pagamento realizado pelo adquirente. Na prática, sempre que o prazo concedido ao fornecedor for superior a trinta dias, o fornecedor recolhe os tributos ao governo no mês seguinte à venda enquanto aguarda a liquidação financeira pelo adquirente dentro do prazo acordado.
Isso significa que os fornecedores retiram recursos do próprio caixa para recolher tributos enquanto aguardam o recebimento das vendas. Assim, quanto maior o prazo de pagamento praticado, maior será o período em que o fornecedor permanece descapitalizado entre o recolhimento dos tributos e o recebimento efetivo do cliente. Ora, não existe “almoço grátis”. Recursos fora da operação têm um custo, e esse custo está oculto em algum ponto da operação. Ele pode estar incorporado à formação do preço ou reduzir diretamente a margem de lucro. No fim, todas as partes acabam perdendo nesse processo.
Dessa forma, enquanto os departamentos de Compras buscam ampliar os prazos de pagamento, o fluxo de caixa do fornecedor passa a suportar custos que vão além da aquisição de matéria-prima. É justamente essa mudança na dinâmica financeira das operações que amplia a importância da atuação conjunta entre diferentes áreas da empresa.
Por que a integração entre áreas ganha importância
O que o mercado ainda precisa perceber é que uma estratégia de compras com desoneração tributária pode ser decisiva para alcançar objetivos que impactam diretamente os seus indicadores. É justamente nesse ponto que a relação entre Reforma Tributária e KPIs deixa de ser um assunto restrito à área tributária e passa a envolver toda a organização.
Vejam: a área de Compras não precisa, necessariamente, dominar tecnicamente o tema Regimes de Aperfeiçoamento, mas é importante compreender que esses regimes podem ser utilizados como ferramentas para desenvolver estratégias capazes de contribuir para o alcance de seus objetivos. O desafio está em conciliar os interesses e as agendas das demais áreas envolvidas.
O papel do Comércio Exterior, Fiscal e Financeiro nessa estratégia
Entre as áreas envolvidas, o Comércio Exterior exerce um papel fundamental nesse contexto, pois a exportação é a peça-chave e possui importante valor como moeda de troca no desenvolvimento dessa estratégia. A área Fiscal também é essencial, pois é nela que se concentra o compliance da operação. A área Financeira igualmente não pode ficar de fora. Afinal, “o caixa é rei”, e a estratégia sobre a qual estamos falando vai além da desoneração da compra de materiais da empresa.
Como a Reforma Tributária também influencia os KPIs da área de Vendas
Agora chegamos à área de Vendas, o motor que impulsiona as empresas. O setor também tem seus indicadores, suas metas e, por incrível que pareça, essa conversa também alcança essa área por meio de estratégias de interesse comum: geração de novos negócios, fortalecimento das parcerias, desoneração tributária nas vendas e conciliação dos interesses e das demandas do cliente final da cadeia.
Reforma Tributária e KPIs: uma agenda para 2027
Perceberam como, neste pequeno artigo, falamos sobre estratégia, integração entre áreas e conciliação de interesses para alcançar indicadores-chave de sucesso? É isso que os Regimes de Aperfeiçoamento e a Reforma Tributária trazem para o novo ambiente de negócios a partir de janeiro de 2027.
Essa discussão precisa começar agora, reunindo as áreas de Compras, Comércio Exterior, Fiscal, Financeira e Vendas para avaliar essas oportunidades de forma integrada.
Talvez o maior ganho da Reforma Tributária não esteja apenas nas novas regras, mas na capacidade de aproximar áreas que historicamente trabalharam com objetivos distintos e transformá-las em parceiras na busca por melhores resultados.
Rafael Santos – Gerente de Relacionamento do Grupo Becomex


