A Inteligência Artificial na Reforma Tributária tende a transformar a forma como as empresas tomam decisões estratégicas sobre gestão tributária, operações e competitividade. Nos últimos meses, tenho participado de diversas discussões sobre o tema com executivos da indústria brasileira. Em praticamente todas elas, a conversa começa pelas alíquotas, pelos impactos fiscais ou pelas mudanças regulatórias. Mas, na minha visão, existe uma discussão ainda mais relevante que começa a ganhar espaço nas organizações.
Como tomar as melhores decisões em um ambiente tributário completamente novo?
A Reforma Tributária muda mais do que a tributação
A implementação do IBS e da CBS não representa apenas uma mudança na forma de recolher tributos. Ela altera a lógica econômica de diversas operações, influencia a utilização de Regimes de Aperfeiçoamento, afeta o fluxo de caixa, modifica a dinâmica de aproveitamento de créditos e pode até levar empresas a revisarem suas cadeias de suprimentos e estratégias de abastecimento.
Em muitas empresas, a decisão sobre qual regime utilizar, como estruturar a cadeia de suprimentos ou qual será o impacto da Reforma Tributária ainda depende de análises pontuais, planilhas e decisões tomadas com visibilidade limitada dos impactos financeiros e operacionais. Em um ambiente que combina IBS, CBS, regimes especiais, exportações e múltiplos cenários operacionais, esse modelo tende a se tornar insuficiente
O desafio é que essas decisões não dependem apenas da interpretação da legislação. Elas exigem a análise simultânea de centenas de variáveis operacionais, financeiras, tributárias e aduaneiras.
O papel da Inteligência Artificial na Reforma Tributária
É justamente nesse cenário que a Inteligência Artificial tende a assumir um papel cada vez mais relevante.
Imagine uma empresa capaz de avaliar continuamente diferentes cenários de utilização de Drawback, RECOF-SPED ou outros Regimes Aduaneiros Especiais, considerando impactos em capital de giro, geração de créditos, custos financeiros, exportações, importações e rentabilidade da operação.
Com esse nível de inteligência, torna-se possível simular os efeitos de mudanças regulatórias antes mesmo que elas impactem os resultados da companhia e identificar oportunidades de captura de valor que dificilmente seriam percebidas em análises tradicionais conduzidas por planilhas e processos manuais.
O futuro da gestão tributária e aduaneira
Acredito que o futuro da gestão tributária e aduaneira não estará apenas no conhecimento técnico das regras. Estará na capacidade de transformar grandes volumes de dados em inteligência de negócio para apoiar decisões estratégicas.
As empresas que conseguirem combinar conhecimento regulatório, tecnologia e Inteligência Artificial terão uma vantagem competitiva importante durante a transição da Reforma Tributária.
No Grupo Becomex, estamos investindo fortemente nessa direção. Acreditamos que a próxima geração de soluções para Regimes de Aperfeiçoamento e gestão tributária será construída sobre três pilares: conhecimento especializado, dados estruturados e Inteligência Artificial aplicada ao negócio.
Vinicio Silveira – Diretor de Produto do Grupo Becomex


